Sem geração

29 mai 2015

O que podemos aprender com a ignorância

Por

Existe uma grande virtude na ignorância, e isso nada tem a ver com o título do ganhador do Oscar deste ano. 

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*Imagem da Cos Sotore

Desconhecer determinadas coisas e possíveis experiências faz com que o você não passe a desejá-las e achar que precisa delas para ser feliz. Nem tudo sai como o planejado, e o ruim disso é que, quando você não consegue realizar ou conquistar essas coisas da maneira que gostaria, começa a achar que a felicidade depende do fato de tê-las. E a ignorância está aí para mostrar que não é bem assim.

Em tempos de ostentação nas redes sociais, a Internet faz questão de evidenciar sempe o melhor lado da vida das pessoas: você faz um breve passeio pela timeline do Instagram e conhece os melhores restaurantes, os melhores destinos para viajar, as melhores roupas, os melhores carros, as melhores marcas. E isso tudo ali, atraves da tela celular. A Internet não mostra o outro lado das pessoas, claro, e aí você passar a achar que talvez só você precise acordar cedo todos os dias para trabalhar  e, com grande esforço,  juntar dinheiro durante o ano inteiro para, quem sabe, fazer uma viagem curta. Começa a achar que só você não consegue comprar aquelas roupas caras ou jantar naqueles restaurantes que todo mundo faz questão de fotografar, filmar, postar.
Ah, Platão nunca foi tão atual quando trancou os prisioneiros dentro da caverna para dizer, em sua obra, que nós, seres humanos, temos uma visão distorcida da realidade.*

Não faz mal você desejar coisas que não pode ter no momento, pelo contrario. Almejar aquilo que você acredita que é melhor para si é apenas mais uma motivação que faz com que você lute dia a dia para chegar onde você realmente gostaria de estar. Só não é saudável você achar que precisa daquilo para ser feliz e, por conseqüência, se sentir derrotado todas as vezes que as coisas não saírem da maneira como você planejou. O segredo é aproveitar a jornada, e não o destino e comparar você a apenas você mesmo, e não aos outros – a história de cada um é particular, assim como suas limitações e avanços. Para uns, as coisas vêm mais fáceis que para outros e é assim que funciona.
A ignorância tem sua virtude sim – tem muita gente por aí que nunca ouviu falar em muita coisa e mesmo assim é feliz. Isso prova, mais uma vez que a felicidade está mesmo dentro de cada um e você não necessariamente precisa dessas coisas todas para ser feliz.

*Ler sobre A Alegoria da Caverna

27 mai 2015

Somos a Geração Incompreendida

Por

Fotografia de Christopher McKenney

Fotografia de Christopher McKenney

Pouco importam as pesquisas e os estudos que fazem sobre nós por aí: somos a geração incompreendida. 

Somos ansiosos e imediatistas. Pensamos na velocidade do 4G e queremos os resultados antes mesmos de planejarmos o caminho até eles. Não nos organizamos, fazemos tudo ao mesmo tempo. Temos pressa, mas ao mesmo tempo temos preguiça. Nos desmotivamos fácil, mas não nos contentamos com pouco. 

Somos inconformados, temos sede de mudança e morremos de medo da mesmice. 

Somos, sobretudo, verdadeiros. Queremos gastar nosso tempo com projetos que acreditamos. Queremos transformar hobbies em fonte de renda porque sabemos que é possível. Queremos unir o prazer às obrigações e às vezes nos frustramos com isso. 
Queremos dormir tarde e não ter hora pra acordar. Queremos ganhar dinheiro assistindo séries, viajando, conhecendo gente. Queremos postar nossas selfies porque queremos ser vistos. Nos envolvemos naquilo que acreditamos, e não prestamos atenção nas coisas que não nos dizem respeito. Com isso, somos egocêntricos. Achamos que o mundo gira em torno da gente.

Mudamos de opinião toda hora e falamos dela o tempo todo, como se fossemos os donos da razão. No fundo, nós só queremos nos expressar.
Somos a geração X, a geração Y, a geração Z ou sei lá como querem chamar, somos a geração incompreendida.

3 mar 2015

Eu gosto é do estrago

Por

Leia ouvindo O Velho e o Moço – Los Hermanos:   

 

Tem coisas que não dá pra entender.

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Foto: Karine Bittencourt.

As vezes você tem aparentemente tudo: uma casa e um quarto só pra você. Sua família por perto, seus amigos e sua cachorra. Tem comida pronta todos os dias na mesa e mal se preocupa com a louça depois que come. Aliás, não se preocupa com quase nada: os afazeres de casa, bem como as contas de energia, água e internet estão longe de se tornarem problemas. Elas estão sempre lá: pagas. As roupas aparecem no seu quarto lavadas, seus tênis sujos aparecem limpos e seu dinheiro você usa pra aquilo que quiser. Se você comete algum erro, vai ter sempre alguém por perto pra tentar justificá-los pra você e fazer você se sentir melhor. Legal, né? Não. Por fora tá tudo bem, mas aqui dentro tá um caos. A gente, mesmo com tudo no lugar, é um inferno pessoal. Você é infeliz, vive ansioso, só sabe reclamar e acorda sempre de mau humor. Vive com a sensação de que falta algo e acorda já esperando que o dia acabe. Mesmo com 20 anos, se sente no fim da vida. Tá tudo errado.

Então, de repente. você faz literalmente a maluca. Junta suas coisas, pede demissão do emprego aparente estável e se muda. Pra longe. Pra longe da cidade, do conforto, dos amigos e da família.

E aí você se vê no caos: mal sabe se vai ter onde chamar de lar na semana seguinte, ou sequer vai ter um lugar confortável pra dormir e colocar suas três malas de coisas. Se vê ganhando a grana suficiente pro básico. Conta os trocos pra sair, pra pagar as contas, pra pegar o ônibus. Não tem sua família por perto pra te dar aquele colo esperto quando você começa achar que nada vai dar certo. Não tem seu quarto pra se trancar, seus melhores amigos pra desabafar, e sua cachorra pra pular em você quando você chega. Aliás, você chega e não tem ninguém esperando. Precisa fazer sua comida se quiser comer e pagar a sua roupa nova se quiser tê-la. Vive no meio de estranhos. Vive das incertezas, das apostas, dos riscos. Você dorme e acorda sem saber o que vai ser de amanhã. Precisa tomar decisões sozinho e assumir os riscos que isso pode trazer. Precisa se responsabilizar pelas escolhas e, se der merda, recomeçar sem mimimi.

É foda, né? Não. Aquele inferno pessoal, o mau humor e aquela sensação de infelicidade plena não existe mais. Nada consegue tirar sua felicidade ao abrir os olhos e começar um novo dia. Todos os dias. Seu estado de espírito nunca esteve melhor e seu astral nunca esteve tão lá em cima! Você  nunca se sentiu tão vivo e nunca foi tão feliz, mesmo com tudo um caos. Vai entender, ne?

Nessas horas a gente tem a certeza de que a felicidade está mesmo dentro da gente e independe de fatores externos. A gente é uma bagunça só.

"E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem, então, agora eu seria?"

23 fev 2015

O Oscar do discurso consciente

Por

A cerimônia do Oscar 2015 rolou ontem e o que mais me chamou a atenção não foram os vestidos desfilados no Red Carpet nem a injustiça cometida com Boyhood, mas sim o discurso que a premiação levou para mais de 100 países ao vivo. Se você teve um pouco mais de sensibilidade, percebeu que algo estava diferente este ano e isso foi confirmado nas quase cinco horas de evento.

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O ator Neil Patrick Harris, conhecido por “How I Met Your Mother” foi convidado para ser o anfitrião da festa e chegou acompanhado de seu marido, o também ator David Burtka, onde responderam a perguntas dos entrevistadores no Red Carpet – que inclusive, usavam a palavra "marido" para se referir a eles. heart Casados há dez anos, eles têm dois filhos gêmeos. Um dos momentos que mais causaram frisson durante a premiação foi Neil só de cueca no palco, fazendo alusão à cena de Birdman, que levou 5 estatuetas para casa, incluindo o de melhor filme.

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Embora a diversidade tenha sido empurrada goela abaixo no tapete vermelho, essa edição do Oscar foi uma das mais criticadas por ser a que menos indicou atores negros, asiáticos e latinos desde 1998, o que não faz muito sentido se consideramos que no ano passado eles elegeram “Doze Anos de Escravidão” como o melhor roteiro adaptado e a triz Lupita Nyong’o como melhor atriz coadjuvante. De qualquer maneira, em reação a isso, algumas celebridades colocaram em pauta outros temas polêmicos como o feminismo e o suicídio.

#AskHerMore

Patricia Arquette

A campanha #AskHerMore foi encabeçada por algumas celebridades que protestavam contra o machismo no red carpet. Emma Stone, Reese Witherspoon e Julianne Moore são algumas atrizes que começaram a questionar as perguntas direcionadas às mulheres durantea entrevista no tapete vermelho, que geralmente se resumem em roupa, beleza e dietas, enquanto as perguntas direcionadas aos seus colegas homens são sobre seus trabalhos e projetos futuros. Não à toa, no Oscar do ano passado a atriz Cate Blanchett, soltou a seguinte frase para o entrevistador: "Você faz a mesma coisa com os homens?", no momento em que ele direcionou a câmera para o corpo inteiro, afim de mostrar seu vestido. 

Surtiu efeito? Surtiu. "Qual o melhor conselho que você recebeu?" ou "que papel feminino você sonha em interpretar?" lideraram o tapete vermelho desse ano e as grandes grifes que elas estavam vestindo ficou para o seguindo plano.

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O ponto culminante do discurso que permeou toda a apresentação foi quando Patricia Arquette recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua atuação – mais que merecida, por sinal – em Boyhood. Depois de fazer um longo agradecimento, ela elevou o tom da voz para protestar em defesa dos direitos femininos e dedicou a estatueta para as mulheres de todo o país: 


discurso

Suicídio e homossexualidade em pauta

O prêmio de melhor roteiro adaptado foi para “O Jogo da Imitação”. O filme conta a história real de Alan Turingm, brilhante matemático que, embora tenha salvado milhares de pessoas durante a segunda guerra, foi perseguido por ser homossexual. Graham Moore, roteirista do longa, ao receber o prêmio e fazer seu discurso, mencionou a tentativa de suicídio que ele cometeu aos 16 anos por “se sentir estranho e diferente, como se simplesmente não pertencesse a nenhum lugar”. E ainda continuou: "Queria dedicar este momento àqueles que sentem que não se encaixam em nenhum lugar. Continuem estranhos. Continuem diferentes. Quando for a sua vez e você estiver neste palco, por favor passe a mesma mensagem para os próximos que virão."

O suicídio, inclusive, foi também abordado também no discurso de Dana Penny, que foi a vencedora do Oscar de documentário de curta metragem. "Quero dedicar isso ao meu filho Even Perry. Perdemos ele para o suicídio.Devíamos falar em voz alta sobre o suicídio. Isso é para ele."

Chorei? Chorei.

Assim como as apostas das celebridades no red carpet são importante para o ciclo da moda, os discursos e as escolhas de indicados para uma premiação desse tamanho e mostraram essenciais para disseminar ainda mais a pauta mais importante para a sociedade hoje: as minorias. É incrível ver como um evento como o Oscar consegue comover tanto a mídia e os espectadores, e a gente espera que isso seja só o começo.

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16 fev 2015

Campanha propõe reflexão sobre padrões estéticos

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Se tem uma coisa que ganha espaço aqui no blog são pessoas, marcas e campanhas com a proposta de fazer a gente se questionar sobre padrões pré estabelecidos, principamente os da moda, que propõe modelos perfeitos de corpos, cabelos e roupas. No final das contas, onde a perfeição habita? 

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Foi pensando nisso que uma loja na Suíça criou uma campanha inclusiva e nada comum. Eles criaram manquins baseados em corpos de pessoas com deficiência física, a fim de propor uma reflexão sobre os padrões estéticos impostos hoje nas vitrines das lojas.

A campanha foi criada pela agência alemã Jung Von Matt/Limmat e deu origem ao curta “Because who is perfect? Get closer”, dirigido por Alain Gsponer. Dê o play e compartilhe amor:

#choray

13 fev 2015

Exposição: Ron Mueck na Pinacoteca

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Uma das exposições que mais formou fila em São Paulo foi a do Ron Mueck na Pinacoteca. Em seus últimos dias (no próximo 22 ela se despede do país), o museu resolveu extender os horários e, assim, dar chance para quem ainda não visitou a exposição. A mesma já passou por Japão, Austrália, Nova Zelândia, México, Buenos Aires e Rio de Janeiro (onde recebeu 230 mil visitantes).

Eu consegui entrar só mesmo na terceira tentativa. E valeu a pena. Embora a exposição seja bem pequena, as obras hiperrealistas são mesmo de impressionar e não decepcionam. O artista consegue captar mais que a similaridade física – as obras parecem mesmo ter alma e se tratar de pessoas reais, e por isso Mueck dá diferentes proporções – são sempre muito grandes ou muito pequenas.

As peças expostas valem, ao todo, R$77,4 milhões e pesam, juntas, 7 toneladas. Dá pra imaginar? Se você está em São Paulo e ainda não visitou, não perca a chance! Aproveite a quinta-feira que a Pinacoteca fecha às 22h e fuja das filas! Abaixo,algumas fotos que fiz das obras:

runmueck_pinacoteca

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