Sem geração

6 jul 2015

ESTAMPA DE CORAÇÃO PODE SIM

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A estampa é de coração mas o assunto aqui é a jaqueta jeans. A peça é protagosnista de uma daquelas histórias incríveis que a moda conta: foi feita para servir de uniforme de trabalhadores (tecido resistente, os protegiam dos atritos dos maquinários), até ser descoberta pelos jovens algumas décadas depois. A história dela muito se assemelha à calça jeans, ambas as peças criadas pela Levi's. Minha primeira memória de uma jaqueta jeans foi no final dos anos 90, de uma peça que minha irmã do meio deixava jogada até eu pegar pra mim e usar realmente como uniforme (ela ficava tamanho XGG, mas eu nem me importava, queria mesmo era vesti-la). A jaqueta jeans significava, pra mim, atitude, personalidade e estilo. Não é à toa que foi usada massivamente por motoqueiros, punks e hippies, que customizavam a peça à sua maneira.

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Outro caso de amor é a camisa com estampa de corações, que realmente foi um achado na Riachuelo da Av. Paulista. Só havia uma peça e em tamanho G. Por impulso, levei e não deixo de usar por isso: um dos truques é sempre deixar a peça para dentro da calça ou dobrar as mangas.

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Jaqueta: Sergio K | Camisa: Riachuelo | Calça: acervo | Cinto: Renner | Botas: Igor Dadona

As fotos são, mais uma vez, do Gui. (ainda vai rolar muitas fotos dele por aqui!)

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E aí, o que acharam do look? Você usaria uma estampa de coração como essa?

6 jul 2015

CRÔNICA: meu namorado vai morar fora (e agora?)

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Outro dia, numa mesa de bar, um amigo do meu namorado – que inclusive, eu tinha conhecido naquele mesmo dia – me perguntou o que eu faria se meu namorado me contasse que iria morar por 1 ano ou mais na Europa. Fui pego de surpresa pela pergunta,  no entanto a resposta saiu de forma muito natural: "não faria nada ué, o que eu poderia fazer? A escolha é dele, o que eu tenho com isso?". Dado a resposta, por alguns segundos a mesa inteira ficou em silencio.  Só depois descobri que o autor da pergunta estava passando por essa situação: o namorado dele se mudou para outro país recentemente e, pelo que parece, pretende ficar longe por bastante tempo. E claro, ele estava visualmente abalado e sofrendo por isso.

Naquele mesmo dia comecei a pensar nessas situações que colocam o relacionamento à prova e, no caso de uma mudança, essa prova é cruel e sem testes. Refleti também sobre a minha resposta e cheguei a conclusão de que não é tão simples assim quando se gosta mesmo de alguém.

Sempre fui (e sou) da opiniao de que ninguém deve deixar de ir atrás daquilo que acha melhor para si por conta do outro. Seu sonho é ir pra Europa e ficar lá dois, três anos?  Então vá. Mas eu sei que na prática nao é tão simples e quando você já está na casa dos vinte e tantos anos um relacionamento sólido tem sim um peso grande na sua vida.

Um dos motivos que causou o término do meu relacionamento anterior é que eu queria sair da minha cidade, crescer na profissão e correr atrás de coisas que eu sonhava e sabia que, na minha cidade atual, isso não seria possível. Meu namorado, na época,  por sua vez,  apoiava meus planos e também tinha os dele: em pouco tempo ele terminaria o mestrado e emendaria um possível doutorado fora do país. Embora gostássemos muito um do outro, nossos objetivos nos levavam para lugares diferentes e sabíamos que um nao seria impedimento para que o outro conquistasse aquilo que queria. De alguma maneira e inconscientemente também sabíamos que um possível futuro juntos nao era uma vontade tão grande para nenhum de nos dois, ou talvez nossos objetivos fossem maior do que a vontade de ficar juntos. Estávamos curtindo um momento a dois, mas sem a perspectiva de ambas as partes de que aquilo fosse crescer.

A primeira coisa é ter os pés no chão e pensar nos motivos que fazem você estar num relacionamento. Já conheci gente que deixou de fazer uma viagem incrível por causa de alguém que terminou alguns meses depois, assim como gente que foi viajar e, quando voltou, a relação ficou até melhor em muitos aspectos.
Qual o sentido de duas pessoas estarem juntas? É esse o ponto. Alguns relacionamentos são tão sólidos que a certeza de 1 ano longe nao faz a menor diferença para o que cada um sente e quer. Para outros, uma temporada fora coloca o namoro em risco – e aí resta assumir esses riscos.
Seja como for, é importante ser honesto consigo mesmo e pensar a respeito dos motivos que fazem você estar do lado daquela pessoa. E quando a relação ja tem um tempo, você consegue perceber sinais de que ela vai pra frente ou não. Ou, pelo menos, sinais do que você deseja que aconteça. Partindo do pressuposto que ninguém está com ninguém por obrigação, é preciso se atentar aos sinais e desejos que estão naquelas caixas que você mesmo deixa fechadas e evita abrir. Ser honesto consigo mesmo é tão importante quanto ser honesto com o outro. Conversar sem rodeios e abrir o coração é, mais que essencial, necessário. Portanto fale. Mas tambem ouça.

Há relacionamentos que precisam de um tempo para que possam renascer mais fortes em outro momento. Eu acredito no momento de cada pessoa e, que para que algo dê certo, os dois precisam estar numa mesma sintonia de vida. Mas olhar só para si também configura certo egoísmo. Para que algo dê certo, seja o que for, é preciso vontade de fazer aquilo dar certo. Sacrifícios serão necessários e sonhar junto é essencial. Essa coisa de acreditar no destino até funciona, mas acredito tambem que o destino precisa sentir que nós estamos dispostos.
Conta paga, saí do bar com a sensação de que eu não poderia ter sido tão indiferente com a minha resposta à pergunta do rapaz. Pessoas que escolhemos para estarem ao nosso lado podem ser tudo, menos indiferentes. Espero, sinceramente, que o amigo do meu namorado e seu parceiro estejam fazendo a escolha certa.

30 jun 2015

B.LUXO: Um Tour Pelo Maior Brechó de São Paulo

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Há 10 anos, comprar roupa em brechó poderia ser sinônimo de desleixo no Brasil. E foi mais ou menos nessa época que o B.Luxo surgiu – de maneira inconsciente e espontânea. Hoje, é o maior brechó de São Paulo e empresta peças para editoriais das principais revistas de moda do país. De dez anos para cá o comportamento do consumidor – e do consumidor fashionista, vale dizer – mudou bastante. Saber garimpar virou sinônimo de expertise e montar um look incrível com pelo menos uma peça de brechó, mostra personalidade. O Hi-Lo deu engrenagem à prática e o famigerado slow fashion, que prega consumo consciente, ajudou a engrossar o caldo. Fiz um tour pelo B.Luxo, e trouxe um pouquinho dessa experiência para vocês.

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As peças vem de todas as partes do mundo e, por lá, quanto mais usada, mais valrizada ela é – e cara. Uma camisa seminova, por exemplo, pode custar R$100, e uma surrada com furos pode custar R$500. Quanto mas antiga, significa que maior é a sua qualidade, além da memória e o valor sentimental. Essa visão de moda é recente no Brasil e faz parte do lifestyle do casal dono do estabelecimento. Paula Reboredo e Gil Franca colecionam antiguidades desde antes do B.Luxo tomar forma. Pesquisando, descobri que eles começaram a vender as próprias roupas na sala do apartamento e, com o timing certo, a coisa cresceu e deu certo. Visitas como a da Sarah Jessica Parker há dois anos, incluiu o B.Luxo no circuito hype de São Paulo.

Peças da era Vitoriana e dos anos 1970 não são difíceis de encontrar, mas o que chama mesmo atenção é a decoração do local. O cenário, que lembra um filme de Hitchcock, é recheado de bonecos dos anos 1930, peças raras e animais empalhados. A atmosfera da loja, que fica na Augusta sentido Jardins, é de um bucolismo típico de outras épocas. Há pouco mais de um ano o B.Luxo ganhou um bar, o B.Bar, que foi lançado em clima de casa secreda. Infelizmente não tive tempo de curtir o ambiente, mas dizem que o cardápio vegetariano é caprichado: o carro chefe é o hamburguer de abobrinha, cogumelos e cenoura. A decoração, como esperado, é formado por móveis antigos e garimpados pelo casal em diversas partes do mundo. Parada obrigatória pra quem vem a São Paulo e gosta de moda, decoração, boa música e gastronomia.

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As fotos foram feitas por mim aqui para o Sem Geração. Proibida a reprodução das mesmas sem creditar.

O B.Luxo fica na Rua Augusta, 2392, entre as Alamedas Tietê e Franca. Ele fica aberto de seg a sex das 11h às 19h e sábado das 10h as 20h. O Instagram é o @bluxovintage e o Twitter @beluxovintage.

Você já comprou em brechó? Se sim, conte a experiência nos comentários!

29 jun 2015

LEVI’S COMMUTER

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A recente inauguração da ciclofaixa na Avenida Paulista significou um marco para a cidade: mais gente andando de bike significa menos pessoas no trânsito, menos sedentarismo e menos danos ao meio ambiente. A prática de usar a bike no dia-a-dia por aqui só aumenta: sob críticas e elogios a prefeitura tem investido pesado em ciclofaixais, encorajando cada vez mais pessoas a mudarem os hábidos de transporte e, por consequência, de vida.

E o que isso tem a ver com roupa? Tudo.

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Como metrólope, as pessoas aqui em São Paulo usam a bicicleta para lazer mas, principalmente, para se locomoverem no dia-a-dia. Foi pensando nisso que a Levi's criou a linha Commuter, pensado para ciclistas urbanos que precisam de uma roupa que funcione tanto para a bike, quanto para o ambiente de trabalho. A Commuter não é novidade, mas para o inverno 2015 a marca lançou, pela primeira vez, a linha feminina.

Tive o prazer de receber uma peça da coleção (a camisa branca do post) e dar um rolê para ver o que, de fato, ela difere das outras. Em todas as peças da coleção de Inverno, conforto é a palavra-chave. Atualizações em stretch facilitam a mobilidade e duram mais tempo. Há também outras tecnologias no próprio tecido que, por exemplo, o faz repelir odores do suor. Muitas peças também são impermeáveis ( caso dos jeans e casacos) e todas têm a modelagem pensada na praticidade: contam com bolsos utilitários, suporte para trava de bicicletas (caso das calças), e comprimento mais alongado nas costas (caso da camisa).


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Camisa Levi's | Calça Renner | Tênis ZARA

Fotos: do incrível Guilherme Marques

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A camisa é realmente funcional, confortável e, claro, bonita. Além de tudo, camisa branca é uma peça essencial no guarda-roupa masculino (coimo eu já falei nesse post) e se você quiser conhecer as outras peças da linha Commuter é só acessar o site.

Infelizmente eu ainda não tenho o privilégio – e o prazer – de ir ao trabalho de bicicleta, mas quem me acompanha no Instagram sabe que meus finais de semana são dedicados a descobrir um pouco a cidade de bike e eu até já falei sobre isso no post O Prazer de Andar Sem Rumo.

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Gostou? Dá um like, vai! :P

24 jun 2015

Milão Fashion Week: O que a Gucci quis dizer com as ‘fantasias de hippie’?

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Já que eu me dediquei a falar sobre alguns desfiles da semana da moda de milão, é impossível não tirar um tempinho para tentar desvendar as mensagens por trás da coleção da Gucci. Em alguns grupos de moda que eu participo no Facebook muita gente ficou com cara de "WTF" com o que parecia ser fantasia de filmes dos anos 1970, mas me arrisco dizer que é muito pouco provável que a ideia da marca era fazer você sair com esse look no dia-a-dia. Existe uma mensagem muito maior e é disso que o post fala.

Gucci Verao Milão2

Acho que não é novidade para ninguém que as semanas de moda tendem a ser mais conceituais: o que está sendo desfilado ali pouco tem a intenção de fazer você transportar o mesmo para as ruas, pelo contrário, a ideia é transmitir o conceito da coleção, da época e da marca. A Gucci, por sua vez, desde a temporada passada está com um novo diretor criativo, Alessandro Michele, que resolveu continuar com a estética setentista como principal linha a seguir para esse novo momento da brand.

Gucci Verao Milão

Os anos 70 estão efervescendo já não é de hoje, não só na moda feminina mas também na nossa: as estampas florais e os festivais de música à céu aberto estão aí para provar. E a ideia trazida pela Gucci dessa vez é o que de melhor a década da paz e amor evidenciou: a androginia, a moda sem gênero. Bordados, laços, lenços, bocas de sino. Profusão de cores e estampas. Camisolas e pijamas que saem às ruas. Flower power e mais flower power. Os anos 70 voltaram e pedem um pouco de paz em tempos de tanta intolerância, preconceito e guerra. Mais amor, por favor!

 

24 jun 2015

Milão Fashion Week: A simplicidade pós moderna de Damir Doma

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Dificilmente se viu uma roupa masculina tão moderna, bem feita e arrojada como no último desfile de Damir Doma na semana de moda de Milão. O designer é croata, estudou em Munique e Berlin antes de passar pelo ateliê de Raf Simons, onde adquiriu um do modo de fazer roupa dos estilistas Belgas (e isso já explica muita coisa). Mas falar que a roupa é masculina é limitar um produto que, em seu processo criativo, a última preocupação que se tem é com o gênero.

Damir Doma Verão 2016

 O coleção é permeada por cores naturais até entrar num azul escuro orgânico que lembra o jeans cru. Desconheço os materiais, mas muito se assemelha aos de fios naturais, assim como as formas pós modernas, cheias de maximalismos sóbrios e confortáveis. O designer tem obsessão por luz e sombra e isso fica evidente pela escolha de sobreposições, cartela de cores e shapes. A mistura de texturas também é uma característica de criações como as dele, onde se sobressaem o design e o matéria prima. As Papetes (olha elas aí de novo!) usadas com meias pretas são sinais de que suas referências também passeiam pelo street style e a escolha de alguns acessórios deixa claro as intenções do estilista: de se conectar com o orgânico e o natural. 

Damir Doma Verão 2016 Milão

Você vai andar na rua com essas roupas? Se você mora no Brasil provavelmente a repsosta é não. Mas quis trazer essa referência para o universo de vocês porque é um tipo de criação / marca que está virando tendência no mundo inteiro: roupas handmade, formas orgânicas, materiais naturais e, sobretudo, peças que vestem homens e mulheres. 

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