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12 ago 2015

CRÔNICA: Sofia, uma viagem a Londres e suas compras por impulso

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Era uma tarde de quinta-feira que transbordava ansiedade para Sofia, já que em uma semana ela estaria dentro de um avião à caminho de Londres pela primeira vez. A viagem foi resultado foi um presente que deu a si mesma, e para isso teve que economizar durante todo o ano. Escolheu Londres porque considerava cool, moderna e criativa. Não que ela já havia pisado por lá, mas era o que diziam todos os blogs e pessoas que considerava atraentes, inteligentes e com uma vida admirável. Todos já foram pelo menos duas vezes a Londres, então Sofia não hesitou quando recebeu em seu e-mail o pacote de viagem em promoção seis meses antes. Mal via a hora de respirar o ar londrino, estar no meio de pessoas bem vestidas e treinar seu inglês. Um mês antes, folheando as páginas de sua revista de moda favorita, Sofia leu uma matéria sobre mulheres independentes que viajavam o mundo. Uma dalas vestia um par de botas pretas até o joelho com um colete de lantejoulas furtacor. A matéria sugeria que aquela vestimenta era ideal para mulheres fortes, donas de si, independentes e cosmopolitas. Mas Sofia era o contrário disso tudo: cheia de medos, precisava sempre da aprovação do outro para que pudesse seguir com suas decisões, por menores que as fossem.

Na volta para casa, exausta depois de um dia longo de trabalho, enquanto Sofia passava pela avenida principal da cidade, avistou na vitrine de uma loja, um par de botas bem parecidas com as que viu horas antes, na revista. E convenceu a si mesma de que aquelas seriam as botas perfeitas para pisar pela primeira vez em Londres. Na sessão mais fashion da loja encontrou também o colete com lantejoular, mas infelizmente nao era furtacor. De qualquer maneira, Sofia considerou aquele dia seu dia de sorte, saiu satisfeita da loja certa de que havia feito boas aquisições e que disfrutaria delas no primeiro dia de férias. A excitação estava difícil de ser contida e ela não esperava a hora das tão aguardada viagem chegar.

Malas prontas, passagens impressas e documentação ok, Sofia gastou bons 30 minutos debaixo da ducha quente para que seu corpo relaxasse e aguentasse as doze horas de voo. Quando vestiu o par de botas e o colete de lantejoulas preto, no entanto, olhou no espelho e viu que suas pernas eram curta demais para usar aqueles poderosos e desejáveis calçados. A impressão era que havia ficado ainda mais baixa, isso sem falar que o colete deixava aparentes as gordurinhas em excesso, resultado dos exageros na cozinha em madrugadas que passava em claro por causa de sua constante insônia e ansiedade. Ela parecia o oposto da moça independente e cosmopolita protagonista da matéria que leu um mês antes. Sofia percebeu que aquelas peças não eram para ela, para seu corpo e muito menos para sua personalidade, e foi frustrante ter que admitir isso para si mesma, já que desejava tanto aqueles ítens. Mas iria usar mesmo assim, já que haviam sido caras demais para ficarem guardadas. Foi, meio sem jeito, em direção ao táxi com seu look novo, sua bagagem abarrotada de roupas e seu caderninho onde havia anotado dicas de Londres fornecidas pelos blogs que costumava acessar enquanto devorava um pote inteiro de sorvete nos fins de domingo.

No terceiro dia de viagem, feliz por ter deixado para trás sua rotina entediante, seu emprego mais ou menos e seu apartamento alugado com precária mobília, ela sentia imenso prazer por respirar o mesmo ar que aquelas pessoas tão estilosas. Elas pareciam seguras, com empregos ótimos, amigos e parceiros incríveis e extremamente felizes com suas vidas. Nesses momentos, evitava pensar na própria vida e se deixava levar pela energia do lugar. Entrou em uma loja de departamento e colocou na sacola itens típicos da moda londrina e presentes na maioria daquelas pessoas. Foram cinco acessórios, uma saia de couro, um caftã com estampa psicodélica, dois chapéus e outra bota, mas dessa vez marrom. Sofia saiu radiante da loja e, cinco meses depois, percebeu que havia usado aquelas roupas uma só vez e não tinha mais coragem de colocá-las.

Ao comprar as passagens para Londres e aquelas roupas que jamais usaria novamente, caiu na armadilha do consumismo. Consumia não para ter aqueles produtos ou por uma vontade genuína de conhecer Londres mais que os outros lugares do mundo. O intuito era, na verdade, de ser transformada após adquirí-los. Sofia via em sua revista favorita o desejo inconsciente de estar ali. Ao comprar aquelas roupas, pouco se importava com seu verdadeiro gosto ou como aquela combinação ficaria em seu corpo, sua intenção era se apossar da personalidade de quem as veste e se assemelhar, de alguma maneira, àquelas pessoas. Ela comprava roupas e fazia viagens de alguém que gostaria de ser. E por isso não era de se espantar que as roupas ficassem paradas no fundo do armário depois de um único uso. Trata-se de um dilema dos que compram por impuso, motivados pelas campanhas de marcas, vitrines de shoppings e matérias em revistas de moda. Ir para um destino tão longe com roupas que só encontrariam lá relevelava um desejo: afastar-se de si mesma e tornar-se o outro.

"Os verdadeiros paraísos são os paraísos que perdemos" Proust.

11 ago 2015

Por que está todo mundo vestindo Adidas?

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Na moda de rua, seja ela semana de moda ou não, é quase unânime: tá todo mundo vestindo (ou calçando) Adidas. Com jaquetas com logo aparente ou tênis em modelos comuns ou feitos em parceira com alguns grande estilista ou marca, a Adidas pulou de tênis esportivo para criadora de ítens de desejo, principalmente entre o público fashionista.

Adidas Street Style

Looks do Street Style mundial com peças Adidas exibindo logos gigantescos

Para entender esse boom da marca, é preciso resgatar um pouco sua história. A marca que deu origem à Adidas surgiu através de dois irmãos, que começaram a criar tênis adaptáveis às prátivas esportivas lá nos anos de 1920. O cenário era a Alemanha Nazista, regime que incentivava os esportes. A primeira parceria de sucesso foi com o atleta Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlin em 1936. O tiro foi certeiro: ele ganhou quatro medalhas de ouro usando as sapatilhas de correr dos irmãos Dassler. Mas a Segunda Guerra ganhou força e Hitler transformou a fábrica de calçados em produtoras de mísseis para tanques. Após a segunda guerra, os irmãos se separaram e um deles criou a então conhecida Puma. O outro irmão aproveitou seu nome "Adi", e então deu nome à sua marca de calçados esportivos de Adidas. 

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Peça retirada do arquivo virtual da marca, disponível em www.adidas-archive.org

A Adidas foi pioneira desde sempre por associar seus produtos a grandes atletas e importantes eventos esportivos. A marca virou referência de calçados e bolsas (essas criadas anos depois) destinadas à prática de esportes e só 1989, quando o herdeiro faleceu e a label foi comprada por um investidos francês, que eles começariam um caminho que dara à marca status fashion: as parcerias de sucesso, antes mesmo de qualquer fast fashion. 

A estratégia foi a mesma: associar seus produtos a personalidades. Mas de esporte, a marca entrou para o mundo pop ao escalar a cantora Madonna para uma de suas campanhas e ser sua principal porta-voz. No mesmo ano a produção foi transferida para Ásia e o investimento em equipamentos de última tecnologia para o desenvolvimento de materiais foi grande. Os preços aumentaram e o branding ganhou força. Na mesma época a Adidas lançou seu logotipo como conhecemos hoje e as três listras paralelas tornaram sua maior referência. No início dos anos 00 ela se uniu à estilista Stella McCarney, que ganhava destaque com boas críticas nos veículos de moda de todo o mundo. A linha  de produtos esportivos femininos que recebeu o nome de "Adidas by Stella McCartney" deu tão certo que dura até hoje.

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Madonna e Adidas: primeira parceria pop da marca

Os anos passam e as parcerias continuam, e com sucesso cada vez maior. Sucesso por influenciar os looks de street style e por rejuvenecer a Moschino, o estilista Jeremy Scott lança, a cada ano, peças-desejo que ganham status de colecionador. O cantor Pharrell Williams também assinou sua primeira coleção para marca no ano passado e, já na pré-venda, os 10 modelos esgotaram apenas em 3 horas, assim como a coleção da marca carioca Farm, que entrou pro time de parceria já coleciona duas delas, sempre com itens que causaram frisson na mídia (e na rua, já que por onde a gente anda tem alguém vestindo uma jaqueta estampada da linha). Kanye West também entrou no grupo de escolhidos para lançar uma coleção que já dura duas temporadas na marca, intutulada Yeezy Boost.

Kanye West e Adidas

Kanye West e sua coleção em parceria com a marca em desfile da semana de moda de Nova York 

Ao firmar parcerias com nomes, marcas e personalidades da mídia, a Adidas conseguir fazer com que seus produtos saíssem do sportswear e ganhassem status fashion, independente da linha (hoje a Adidas possui quatro marcas, uma para cada público). Estilistas conhecidos e aclamados no mundo inteiro já assinaram modelos exclusivos, o que faz com que quem compra sinta como se estivesse adquirindo um produto raro no mercado. Foi o que aconteceu com os modelos desenvolvidos por Yoji Yamamoto e Rick Owens, nomes associados à criações de vanguarda. A influencia do sportswear na moda de rua também foi um facilitador para que a marca entrasse de vez no dia-a-dia das pessoas. É só dar uma olhada em blogs e tumblrs de street style que certamente um íten Adidas vai aparecer nas buscas. 

Com isso a Adidas hoje é uma das marcas de moda mais valiosas, ficando em 5º lugar no ranking mundial feito pela consultoria Millward Brown Optimo no ano passado, atrás apenas da Nike, Zara, H&M e Uniqlo. Ela foi avaliada em mais de 5 milhões de euros.

Agora me diz, qual Adidas é seu preferido?

9 ago 2015

VOCÊ CONHECE A ESCOLA SÃO PAULO?

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Muitas das frustrações de quem se decepciona depois de quatro ou cinco anos dentro de uma universidade é a maneira com que essas pessoas encontram o mercado de trabalho. Isso acontece em todos os cursos, mas principalmente entre as profissões que trabalham com a criatividade. Eu falei um pouco sobre isso no post "5 frustrações de quem fez (ou faz) faculdade de moda" e tive 100% de retorno positivo de quem acompanha o blog ou leu o texto. Basicamente o que acontece, é que o mercado para essas áreas é completamente instável (diferente de cursos tradicionais como direito ou medicina), e a faculdade, quando oferece um curso, precisa ter sua grade fechada até o fim – e é aí que muitos ensinamentos ficam defasados.

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Foi pensando nisso que a Escola São Paulo surgiu há 8 anos. A proposta da Escola é oferecer formação extra acadêmica para profissionais que já estão no mercado e empreendedores que querem transformar o hobbie em fonte de renda. Diferente de uma universidade, os cursos têm duração curta e, por isso, conseguem se adaptar melhor à realidade do mercado naquele momento. Os professores são pessoas que já estão inseridas no mercado e conseguem trazer vida real às salas de aula. Conheci o local em 2012, quando fui convidado para um curso com a Glória Coelho e logo me apaixonei não só pela variedade cursos, que geralmente são únicos, mas no embiente – a escola conta com uma biclioteca incrível, mostras de trabalhos dos alunos, talks gratuitos, e até oferecem cerveja grátis nas aulas (como não amar?). Tudo isso num ambiente descontraído e ultra descolado na rua Augusta, claro.

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A Escola São Paulo é a única instituição completamente dedicada à economia criativa – conceito que surgiu lá em 1997 na Inglaterra. Eles oferecem cursos nas áreas de moda, cinema, fotografia, design, arquitetura, artes visuais, gestão e empreendedorismo. A grade muda a cada semestre, o que significa que eles conseguem se adaptar de acordo com as demandas do mercado. Além disso, eles trabalham com uma programação à parte que mesmo quem não é aluno pode desfrutar, como as palestras online e os talks, que funcionam como um bate papo e troca de ideias, sempre comandado por alguém de peso, que traz temas pouco explorados no mercado. A ideia dos cursos é dar um refresh nos conhecimentos, entender como as empresas hoje estão funcionando e quais suas necessidades. Uma das coisas mais legais é o networking e o contato com outros profissionais da mesma área. Para se ter uma ideia, já estiveram à frente de algumas turmas, só de moda, Maria Prata, Pedro Lourenço e Alexandre Herchcovitch.

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Além do curso que eu fiz de consumo On-Off (que falei nesse post), eles abriram outros cursos para moda, e vale dar uma olhada na agenda completa do site. A Escola também conta com uma grade de cursos online e os leitores do blog em breve vão poder concorrer a um desses cursos. Aguardem!

7 ago 2015

CAVEIRAS

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Não importa o quão a caveira esteja saturada na moda: ela é e sempre vai ser minha estampa preferida. Lembro de gostar de caveira ainda criança, sem a noção do que aquilo podia representar (positivamente ou negativamente, dependendo do contexto). Elas foram parar nas passarelas através do subsersivo Alexander McQueen, que estampou lenços e bolsas, além de criar versões lúdicas das caveiras. Aqui no Brasil ela é a principal marca de Alexander Herchcovitch, que começou sua carreira também no underground (o estilista começou a carreira confecionando roupas para drag queens em boates paulistanas). Acompanhamos Hertchcovitch chegar ao topo de sua carreira, sendo um dos principais representantes da moda no Brasil lá fora, assim como as caveiras saíram de símbolo marginalizado às prateleiras de fast-fashions, caindo finalmente, na graça da moda de massa. De underground, então, ganharam versões pra lá de, digamos, exóticas. Caveiras com brilhos, com pérolas, as mexicanas, feitas de renda, alto relevo… Versões ousadas não faltaram. E é exatamente nesse contexto que a caveira em seu formato original ganha ainda mais beleza, na minha opinião. 

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Calça moletom: Acervo | Camisa: Danke | Bota: Renner

Foto: Guilherme Marques

5 ago 2015

5 coisas que você NÃO deveria fazer em uma semana de moda (mas faz)

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Lembro como se fosse hoje a primeira vez que pisei numa semana de moda. Foi assustador e encantador ao mesmo tempo. Não tinha ideia do que aquilo representava na indústria como um todo, só sabia que estar ali era era uma das maneiras mais próximas de estar em contato com aquilo que mais amo. Com 17 anos fui cobrir o Fashion Rio para o blog da universidade que eu tinha acabado de ingressar. Me lembro bem dos primeiros dias, em que todos pareciam não se importar com nada daquilo, dos flashes todas as vezes que alguém importante do moda (que eu não fazia ideia de quem era) aparecia e do frisson que era todas as vezes que um desfile era anunciado. A verdade é que pude observar – e confirmar, depois de algumas edições frequentando o evento – que a semana de moda atua como um grande conto de fadas, em que cada pessoa encarna o papel que mais agrada. Elas passam a se comportar de maneira que geralmente não o fariam se não estivessem ali, inclusive com roupas que não vestiriam se não fosse para estar ali. Listei abaixo as mais divertidas (e sinceras) coisas que todo mundo faz (ou fez) numa semana de moda, mas que não deveriam se orgulhar disso:

1. Carão

É até compreensível que o carão de Ana Wintour tenha se tornado elemento essencial da sua peronsalidade, mas vamos combinar que Ana Wintour só existe uma. As pessoas, em semanas de moda, são picadas pelo bicho do carão, e fazem questão de circular nos corredores dos desfiles com óculos escuro, nariz em pé e cara de fome. Amigo, pega leve, deixa o carão para quando você chegar na balada com as amigas. 

2. A íntima

Sabe aquela pessoa que força amizade? Que chega no lugar fazendo questão de mostrar para os que estão ao redor que conhece a figura mais famosa do ambiente? Então, em semanas de moda essas pessoas se multiplicam, e você acaba se sentindo mal por não conhecer tanta gente assim. É gente que se encontrou uma só vez na vida com a blogueira famosa, ou a stylist da revista tal, mas quando encontra no lounge, se comporta como se fossem conhecidos de uma vida inteira. Nem que seja para postar a selfie depois e ganhar mais likes.

3. Opinar sobre todos os desfiles

Já cansei de sair de sala de desfile sem ter uma opinião formada sobre a coleção. As vezes, confesso, nem prestei tanto atenção na roupa, e me deixei envolver pelo espetáculo como um todo. Mas parece que, ao sair da sala, é obrigatório que todos tenham o que dizer sobre aquilo que acabou de acontecer, mesmo que seja um #QUERO. Hoje em dia, então, é pior, dado que em segundos essa opinião vazia, descontextualizada e baseada em "achismos" logo se perpetua em compartilhamentos e likes no Instagram e no Snapchat.

4. Mostrar que conhece tudo e todos

Cada temporada o line up é uma surpresa. É marca migrando do Fashion Rio, é PatBo surgindo a cada estação, é estilista que decide pular a temporada, e outras tantas que surgem da noite pro dia. Na última edição, por exemplo, foram nada menos que 39 marcas desfilando suas apostas nas passarelas. A menos que você esteja lá a trabalho, cobrindo os desfiles para algum veículo, é quase impossível decorar, conhecer e entender a história de cada grife, contextualizar cada coleção, e saber de nome todos os estilistas. Não faz mal, afinal ninguém é obrigado a conhecer tudo e todos. Tá tudo bem.

5. Usar roupas que geralmente não usaria

Talvez essa seja uma das coisas que mais as pessoas julgam, mas que paradoxalmente, as que mais fazem. Com o advendo dos blogs de street style, ser parado pela multidão de fotógrafos que fica na porta do evento é algo que, inevitavelmente, infla o ego de qualquer pessoa. Mas não precisamos fazer disso uma grande guerra de fantasias ou uma competição que elege quem consegue usar mais usar estampas e cores ofuscantes num mesmo look. Ao menos que você seja Ana Dello Russo (do gif acima), é importante olhar no espelho antes de sair de casa. Existe uma grande diferença entre pessoas que sabem usar roupas e aquelas que são usadas por elas. Capriche sim no look, mas vamos conter a vontade de aparecer.

Se você lembrou de mais alguma coisa constrangedora que as pessoas fazem em semana de moda, compartilha com a gente nos comentários aqui embaixo! 

 

3 ago 2015

Experiência de Comércio: da Rua 25 de Março à Oscar Freire

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Na última semana ingressei no curso de Consumo On-Off na Escola São Paulo, e quem me acompanhou no Instagram e na fan page do blog no Facebook, pôde ver algumas fotos que postei durante as aulas. O curso tinha como objetivo traçar o perfil dos diferentes consumidores brasileiros, desde a nova classe consumidora à classe A+, tanto no ambiente físico, quanto no online. Ministrado pela blogueira e jornalista Helô Gomes e Jeff Rezende, pesquisador de consumo e geografia humana pela USP, os dois realizam um trabalho de estudo do comércio de diversas partes do mundo e, nas salas da Escola São Paulo, puderam dividir um pouco do que viram nas mais diferentes esferas de comércio mundial, com destaque para o de luxo. De maneira complementar os dois fizeram bonito frente aos 22 alunos que frequentaram o curso: Jeff tem uma bibliografia afiada e consegue explicar qualquer fenômeno da moda relacionando a obra de algum autor (além de saber o mapa mundi de cabeça), e Helo, com uma bagagem admirável de mercado, trouxe sua experiência de oito anos atuando como blogueira e formadora de opinião, sua relação com as principais marcas nacionais e com a cultura de diferentes países, além de sair do óbvio e trazer outros universos para a moda (sempre associava um fato da moda a um livro ou filme). Os colegas de turma também trouxeram diferentes olhares para os assuntos abordados, já que cada pessoa vinha de uma área diferente: publicidade, televisão, jornalismo, economia, varejo e empreendedorismo se uniram para discurtir um mesmo tema, apliando o olhar e a percepção de cada um. O conteúdo era tão extenso e rico que, já na primeira aula, escolhemos ficar sem intervalo e ultrapassamos o horário de saída. 

Curso Consumo On Off Escola São Paulo

O último dia de aula foi uma experiência de campo, onde o propósito era analisar na prática tudo que vimos durantes os cinco dias anteriores. Fizemos uma visita ao comércio popular da rua 25 de Março e seguimos para a emblemática rua Oscar Freira, que ficou conhecida como a principal rua do comércio de luxo da América Latina e que hoje, mostra outra realidade. A 25 de Março que, para quem não sabe, é o maior centro comercial da cidade de São Paulo, concentra cerca de 350 lojas e 3 mil estandes e camelôs que disputam espaço ofertando, em sua maioria, mercadorias importadas e réplicas de grandes marcas. A rua, com 2,5 km de extensão emprega diretamente 60 mil pessoas, que recebem diariamente outras 400 mil (com picos de 1 milhão no Natal) de diferentes partes do país, desde curiosos, compradores de multimarcas e estudiosos. 

25 de março

A primeira loja que entramos é uma das mais antigas de tecido em São Paulo, a GJ Tecidos, que completou, ano passado, 85 anos de existência. A loja possui 3 andares, sendo um só dedicado a noivas. O metro de uma das rendas mais caras da GJ custa R$2.200,00. Eles atendem estilistas, marcas e pessoas físicas tanto em seu espaço, que fica em um dos prédios da Ladeira Porto Geral, quanto no site que vende online para qualquer parte do país. Voltando às ruas, a quantidade de pessoas anunciando réplicas é surpreendente. Em um momento paramos com um vendedor de rua que se dividia entre divulgador da loja (que ficava dentro de algum prédio) e vitrine humana, já que expunha produtos que iam desde camisas réplicas da Dudalina (a R$55) à tênis réplicas da Nike e Adidas. Já o Shopping 25 de Março funciona como um galpão de vários estandes minúsculos (a maioria oriental), oferece réplicas de primeira, segunda e terceira linha. Um cinto Hermés custa entre R$45 e R$55, dependendo da linha (a primeira usa até couro original, segundo a vendedora). Uma bolsa Céline, em outro estande, custa R$750. Curioso é relalacionar esse processo produtivo e de venda com algumas linhas de marcas como Armani, que se divide como Armani, Giorgio Armani e Armani Exchange. Em um dos estandes, a informação de que o mesmo fornecedor que produz para a marca e para o camelô é o mesmo, foi confirmada por um vendedor. O Shopping 25 de Março funciona como um Ali Express físico – e surpreendentemente físico.

 

 

 

Conhecimento público ❤️ @escolasaopaulo #ConsumoOnOff #ExperiênciaDeCampo #ComérciodeRua

Uma foto publicada por helogomes (@helogomes) em

De comércio popular a artigos de luxo, pulamos para a Oscar Freire depois de um passeio arquitetônico pelo novo Centro. A rua, que segundo a Mystery Shopping  International, é uma das oito mais luxuosas do mundo, começou a se formar quando, após os anos 1950, os moradores foram migrando para a região e o centro, que antes detinha o comércio de luxo da cidade, foi também acompanhando a transição. Por lá marcas nacionais importantes começaram a abrir suas lojas e estilistas importantes da época como Dener e Clodovil montaram seus ateliês. Em 1997 a Versace se instalou na região abrindo espaço para outras também grifes internacionais. Já passaram pela Oscar Freire lojas próprias da Christian Dior, Armani Exchange, Cartier, Louis Vuitton, Salvatore Ferragamo, Mont Blanc, entre outras marcas nacionais.

Oscar FreireMas a partir de 2013 a maioria delas, por questões de estratégia e posicionamento, migraram para ops shoppings de luxo, como Cidade Jardim, Iguatemi (o shopping mais antigo da Cidade) e o mais recente, JK. Coincidentemente (ou não), no mesmo ano a Riachuelo, com uima estratégia ousada, abriu sua filial na Oscar Freire, dando espaço para, um ano mais tarde, a gigante Forever 21 para a briga de espaço – e público. Mas dois anos depois a situação ainda não é animadora. Espaços que antes abrigaram marcas importantes, estão enfeitadas com a placa de "alugue-se", "passo o ponto" e "vende-se". E outras, que ainda permanecem em atividade como a Carlos Miele, se assemelham a lojas abandonadas, dado o descaso e o descuido com as vitrines, modelos expostos e limpeza do vitro. Pudemos perceber até alguns furos e linhas puxadas em vestidos que chegam a custar mais de 4 mil reais.

Oscar Freire Aluga

Indo às ruas, conseguimos perceber como a formação geográfica da cidade influencia no modo de vida, no mercado e na disposição do comércio de uma região. E como o comércio sofreu – e vem sofrendo – transformações na cidade de São Paulo e quais marcas conseguem acompanhar essa mudança, na medida em que outras acabam, seja pela falha de uma gestão eficiente, seja por não conhecer e acompanhar o consumidor e as mudanças que ele propõe. Faltaria espaço para discutir mais sobre os temas vistos no curso e um pouco mais do que foi a experiência de campo, mas sem dúvidas isso vai refletir no conteúdo do blog, e quem acompanha o SG vai poder perceber com o tempo. Abaixo tem um vídeo com pequenas cenas da visita ao comércio – fiz questão de registrar e mostrar aqui no post um pouquinho do que foi aprender com os críveis Jeff e Helô e, claro, com a Escola São Paulo, que sempre propõe formatos inovadores, incomuns e eficientes de ensino.

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